A Culpa é das Estrelas (2014)

Não há como negar que os livros do John Green são um fenômeno. Se você olhar hoje a lista dos dez livros de ficção mais vendidos encontrará o nome dele quatro vezes. O sucesso de suas obras é justificado, Green consegue através de ótimos diálogos construir personagens carismáticos, além de transformar histórias que parecem clichê em algo inesperado.

A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) é o romance mais bem-sucedido do autor e por isso sua adaptação para o cinema pelas mãos do diretor Josh Boone foi a primeira a ocorrer. Hazel Grace (Shailene Woodley) é uma garota de 16 anos que tem câncer em estado avançado e devido à doença tem dificuldades em respirar, andando sempre com um tanque de oxigênio ao seu lado. Na tentativa de satisfazer seus pais (Laura Dern e Sam Trammell), Hazel aceita participar de um grupo de apoio para adolescentes que passaram ou estão passando pela mesma situação e é aí onde ela conhece Augustus Waters (Ansel Elgort).

Os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber – que também escreveram (500) dias com ela – conseguem manter o mesmo tom da obra de Green, inclusive o humor negro. Afinal, se você já está falando de algo extremamente triste como crianças/adolescentes com cancêr, por que não tentar quebrar um pouco o gelo fazendo piadas sobre câncer nos testículos ou colocar um cego pra tentar atirar ovos em um carro? Outro ponto também presente no livro é a fragilidade das personagens. Em vez de mostrar os pacientes como pessoas guerreiras até o fim, aqui temos algo mais sincero, com diversos momentos de fraqueza e desistência tanto por parte das pessoas doentes quanto pelo parentes e amigos envolvidos, algo que só lembro de visto no sensacional 50%, estrelado por Joseph Gordon-Levitt e Seth Rogen.

Culpa é das EstrelasComo história de amor o filme também é bem competente. A ótima trilha sonora é uma das responsáveis por ajudar o filme, mas o destaque fica mesmo para o casal principal. A nova queridinha de Hollywood Shailene Woodley e seu parceiro Ansel Elgort já haviam trabalhados juntos em Divergente e talvez por isso exista bastante química entre os dois. É fácil acreditar que a personalidade animada e descontraída de Gus junto com a tímida e realista pessimista de Hazel – tão contrastantes em um primeiro momento – acabam encontrando uma na outra o que precisam, formando uma dupla cativante. Ainda é estranho pensar em alguns momentos  da projeção “Acho que ela precisa de mais pulmões pra fazer isso” ou “Será que ele tira a prótese da perna antes ou durante?”, mas é tão natural ter o sorriso arrancado do rosto pelo casal que você apenas ignora os detalhes.

Como adaptação o título tem sempre o perigo de ficar preso à mídia original e nesse caso o principal problema é o personagem do escritor Peter Van Houten, interpretado pelo sempre competente Willem Dafoe. Van Houten é o autor do livro “Uma Aflição Imperial“, a obra preferida dos protagonistas e responsável por fazer a dupla viajar até a Holanda, porém a pequena participação do ator não é o suficiente para entendermos a real importância dele na história. Outros dois detalhes que não estão no filme e têm uma certa importância são a ex-namorada de Gus e o desconforto das pessoas “normais” em contato com o casal (esse segundo caso inclusive teve cenas rodadas, com participação do próprio John Green, que não chegaram a ser exibidas no cinema), mas isso não atrapalha quem não conhece a história original. Em compensação, o terceiro ato acaba sendo um problema. Na tentativa de encaixar tudo nos 125 minutos de filme, a parte final acaba sendo corrida e é notável o interesse do novato diretor em fazer todos se emocionarem com algumas declarações e momentos mais forçados, algo desnecessário se ele tivesse confiado um pouco mais no que já havia sido construído.

Apesar disso,  A Culpa é das Estrelas é um sucesso. Outra adaptação de John Green, o livro Cidades de Papel, com o roteiro do mesmo Scott Neustadter e tendo com protagonista o ator Nat Wolff – que também aparece aqui como o deficiente visual Isaac – já está confirmada para o ano que vem. Se mantiver a mesma qualidade desse já temos um forte candidato para o filme romântico do próximo ano.

PONTOS - OITO TIROS

8 tiros em 10

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