Transformers: A Era da Extinção (2014)

optimus

Quando você faz algo legal e bom para um público, você acaba tendo um certo crédito com esse pessoal. O Felipão é um exemplo: quando ganhou a libertadores pelo Palmeiras e a Copa pela seleção. Com isso ele teve a chance de atuar novamente por essas duas equipes, porém não fez um bom trabalho na volta (rebaixou o Palmeiras e fez a seleção brasileira levar uma goleada histórica) e apesar do respeito pelos feitos passados foi obrigado a se despedir. Em 2007, Michael Bay trouxe Transformers e Megan Fox para o cinema – por quem nós somos extremamente gratos – mas após assistir Transformers: A Era da Extinção acredito que é melhor parar por aqui.

Em A Era da Extinção, a intenção é criar uma nova trilogia e por isso não temos mais as personagens de Sam Witwicky (Shia LaBeouf)Mikaela Banes (Megan Fox) ou Carly (Rosie Huntington-Whiteley), apesar de a história se passar após os eventos do terceiro longa. Temos um mundo onde a aliança entre humanos e Autobots foi desfeita e qualquer atividade alienígena deve ser comunicada ao governo. Cade Yeager (interpretado por Mark Wahlberg) é um inventor fracassado e pai da bela Tessa (Nicola Peltz). Na procura de peças e equipamentos antigos, ele acaba encontrando um caminhão que mais tarde se revela o líder dos Autobots, Optimus Prime. Ao ser descoberto pelas autoridades, Yeager tem sua casa e família atacadas e decide se juntar a Optimus para descobrir quem está fazendo isso.

São tantos problemas a partir daí que é difícil saber por onde começar. Mark Wahlberg já provou que se for bem dirigido como em “O Vencedor” ou “Os Infiltrados” é um ator competente e bem melhor que Shia LaBeouf, porém nas mãos desse diretor fanático por explosões ele não convence nem como inventor e nem como “soldado” ajudando os Autobots. Nicola Peltz teve o ingrato prazer de ser apenas um eye candy da produção de Bay e apesar de linda não se destaca tanto quantos as suas antecessoras no papel. Nem mesmos os autobots fugiram da sensação de serem genéricos, Bumblebee é o único que se mantém carismático, os demais são apenas estereótipos de algumas etnias.

DinobotO roteiro também não ajuda. Além do foco excessivo nos humanos (uma falha terrível em um filme com robôs gigantes), há diversos clichês que vão desde alavancas acionadas acidentalmente que abrem passagens secretas até chineses aleatórios que sabem lutar alguma arte marcial. Personagens como o de Stanley Tucci mudam de comportamento abruptamente, outros somem e reaparecem sem explicações e há a inclusão de mercenários alienígenas na franquia, figuras que o espectador nunca sabe de onde vieram e o que exatamente querem na Terra. Até mesmo os Dinobots – apresentados durante os trailers de divulgação e quem fizeram todo mundo gritar “RÔBOS GIGANTES E DINOSSAUROS DE METAL” – são incógnitas e estão ali apenas para o impacto visual. Seria exigir demais de um blockbuster um bom enredo, mas é algo extremamente necessário em um longa de quase 3 horas de duração.

brains

Brains saindo de uma animação.

Os efeitos especiais, um dos pilares que sustentaram as outras obras, aqui parecem ter uma qualidade inferior em certo momentos. As cenas onde temos o pequeno autobot Brains e também o elemento Transformium (sim, é esse o nome que eles dão para o novo metal descoberto) mais parecem vindo de uma animação infantil do que qualquer outra coisa e destoam muito do restante do cenário. Em compensação o som, outra marca da série, continua impecável.

Infelizmente, é bem capaz que Michael Bay continue a produzir sequências bienais que rendem milhões para os cofres da Paramount, ainda mais agora que descobriram o mercado chinês. Eu não sei quanto aos chineses, mas provavelmente não verei um filme novo dessa franquia tão cedo.

TRÊS TIROS

3 tiros de 10

 

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