Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

Cavaleiros

Em 1988 foi lançado no Japão “A Lenda dos Defensores de Atena”, primeiro longa metragem para o cinema dos Cavaleiros do Zodíaco, cuja história não seguia a cronologia da série animada e que nós só fomos ver por aqui em 1995. Já no ano de 2004, em comemoração aos 30 anos de carreira do autor Masami Kurumada, os guerreiros de Athena tiveram seu segundo título lançado para o cinema com o nome de “O Prólogo do Céu”, dessa vez dando continuidade aos acontecimentos da saga de Hades. Dez anos depois, novamente comemorando os anos de atividade do mangaká japonês como pretexto, a Toei Animation decidiu fazer um novo filme baseado nos heróis, só que agora decidiu seguiu por um caminho diferente.

Na intenção de apresentar os heróis para novos espectadores e também manter algumas referências para os antigos fãs, Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário usa como base da história a famosa saga das doze casas, porém reimaginando todo o seu universo. Essa escolha acabou trazendo um lado bom e outro lado (muito) ruim.

Aiolia comparaçãoA primeira grande mudança está no novo visual. A adoção da bela animação em 3D substituindo os traços 2D apresenta personagens que lembram muito outras adaptações, como por exemplo Final Fantasy VII: Advent Children e atualizam a série para um novo público. Os designs das armaduras clássicas também foram bastante alterados – chegando ao ponto do elmo se transformar em uma máscara durante a batalha, um contraponto à “tiara” que existe no mangá – fazendo com que elas adquirissem um aspecto mais verdadeiro e convencessem que são capazes de proteger o usuário.

A técnica de animação também impressiona, em especial nas cenas de batalhas. Os poderes clássicos são menos abstratos que nas versões antigas e misturados com a coreografia com golpes mais simples fazem algumas cenas espetaculares. O uso do slow motion chega a ser excessivo em alguns momentos, mas também deixa claro a superioridade dos cavaleiros dourados em frente aos seus desafiantes.

O grande problema aqui está no desenvolvimento da história. O grande e previsível problema seria compactar os 38 episódios da saga clássica em apenas 93 minutos e ao fazer o diretor Kei’ichi Sato e os roteiristas Chihiro Suzuki e Tomohiro Suzuki não souberam agradar nem o público fiel e nem os novos. Houveram personagens subaproveitados como Ikki, Shun, Afrodite e Shaka, que foram reduzidos a segundos de participação. O famoso capítulo da luta de Hyoga contra seu mestre Camus foi tirado totalmente de contexto e ainda gera um furo terrível na história do próprio longa. Mas nenhum caso chega perto do que fizeram ao Cavaleiro de Cancêr. Se no original, Máscara da Morte é dos cavaleiros mais assustadores, aqui ele foi reimaginado com um ar de bufão que não respeita a morte, com direito a uma cena musical (!) que causa vergonha alheia em quem não conhece o personagem e indignação para os fãs de longa data.

MiloSendo justo, há também boas escolhas. A transferência do Santuário para o próprio Cosmos em vez de um dos pontos turísticos mais movimentados do planeta, a substituição das caixas com as armaduras por pingentes e o fato do Milo de Escorpião ser agora uma amazona são bons exemplos de adaptações que não atrapalham a obra e enriquecem a mitologia do universo. Vale também fazer menção ao excelente trabalho da Dubrasil, que tomou o cuidado de trazer todos os dubladores possíveis para dar a vozes dos personagens nessa versão. Infelizmente isso não foi o suficiente para eclipsar as outras péssimas decisões que pontuam todo o título.

Com todos esses erros, infelizmente “A Lenda do Santuário” não foi um bom presente para o Mestre Kurumada, o que deixa um gosto ruim na boca porque é claro o potencial desperdiçado. É possível que atraia novos fãs, mas prefiro torcer pra que a Toei continue a produção do excelente Lost Canvas ou até mesmo do Prólogo do Céu. Quem sabe no aniversário de 50 anos do autor?

 TRÊS TIROS3 tiros em 10

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